A vila era um lugar fora do mundo ou era aquele lugar apenas o mundo de Margaridinha. Os costumes do pampa.. agora... pouco lembrados por alguém que procura guardar com regalo as coisas de sua terra e que procura manter viva na sua memória um pedaço de si mesma. Um caso interessante foi quando Margaridinha descobriu que existe gente diferente no mundo!!! a vila tinha filhos ilustres que tomaram o gosto pela cidade grande e que deixavam no campo apenas suas travessuras de meninos. Um dia um ilustre voltou a terra. Era um doutor médico que naquela vila era rei entre os que cuidavam da terra e labutavam no mar. Mas não era o moço bonito que chamava a atenção da garotinha de tranças e seu metro e vinte. Era sim, aquela mulher que ela chamava de esposa. Ta certo! a moça era branquinha...e parecia esquisito andar de guarda-chuva no meio do campo de um lado e outro em pleno céu azul e brilhante. Em terra de gente curtida de sol que lavora do nascer ao anoitecer era difícil entender que o mundo tinha outra espécie de gente...coisas que Margaridinha achava graça! mas isso não era tudo. Outra coisa estranha chamava a atenção naquela mulher. Eram aqueles olhos! por que eram tão fechadinhos? Olhos tímidos,..pensava a garotinha... pois quase não abriam. Talvez por isso a mulher precisasse de guarda-chuva para protegê-los daquele sol escaldante. Mas Margaridinha descobriu que a mulher tinha vindo de um lugar muito longe chamado Japão. Nome estranho de lugar... só poderia ter gente estranha também! Margaridinha não sabia que o mundo era tão grande e que existiam pessoas tão diferentes do pequeno mundo que ela conhecia. A partir daquele episódio a menina começou a perceber que o mundo ultrapassava as fronteiras do lugarejo de pessoas iguais onde ela morava. Um dia, pensava os olhinhos azuis no balanço de uma figueira,. ela iria conhecer o mundo que não se limitava a Vila e que talvez fosse muito maior que da tal cidade grande.
domingo, 25 de setembro de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Receita de família
"Preciso me concentrar. É essencial. Por quê? Ora, que pergunta! Família é um prato difícil de preparar. São muito ingredientes.(...)
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares (...). Não há pressa. Eu espero. Já estão aí?Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.(...) Não se envergonhe se chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. (...) atenção com pesos e medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. (...). O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão.(...) Há famílias doces. Outras, meio margas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada- seria assim um tipo de "Família Diet"(...)Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de engolir.(...) Há famílias, por exemplo, que levam muito tempo para serem preparadas. Fica aquela receita cheia de recomendações de se fazer assim ou assado- uma chatice! Outras, ao contrário, se fazem de repente, de uma hora para outra, por atração física incontrolável- quase sempre de noite. (...). Por isso é bom saber a hora certa de baixar o fogo. (...) Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, inprovisando e transmitindo o que sabe no dia-a-dia. (...) aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."
"Arroz de Palma" . Um livro que emociona: Trecho do belíssimo romance de Francisco Azevedo. Recomendo
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Reminiscências de Margaridinha!
Era num tempo onde a claridade...à noite.. na casa de madeira... se fazia através do lampião acendido pela mãe.. num bufo de gás... que sempre assustava Margaridinha.
Era aquela...uma hora muito feliz na vida da menininha de metro e vinte: as portas eram fechadas e a noite assutadora ficava lá fora apenas observada pela garotinha que tinha medo até de olhar para a grande janela de vidro da cozinha da mãe.
Sentado em volta da mesa de madeira... o pai com um ar de cansaço...depois de um dia de labuta na terra...tomava aquele prato de sopa para esquentar a alma na noite fria do pampa.
A mãe...terminava as últimas lidas na cozinha... esquentando o leite com chocolate...que Margaridinha tomava antes de dormir.
A garotinha de tranças ( assim ela dormia..pois tinha cabelos muito compridos) sentada na mesa em frente ao pai...observava a grande janela que ficava nas costas dele...àquela noite especificamente nada se via...era melhor assim...pois Margaridinha tinha medo das noites de lua cheia...nessas..ela via sempre sombras estranhas que se moviam lá fora da janela...e que papai e mamãe..nunca viam...coisas que ela desconhecia...
O relógio batia horas lentas... tanto quanto o sono que faziam os olhos da garotinha se fecharem sozinhos...e a cabecinha caía sobre a mesa...onde o pai já não estava mais...mamãe então a carregava para a cama..dando-lhe um carinhoso beijo-doce de boa noite!
Hoje...ela observa a noite...mas não pela grande janela de vidro da cozinha da mãe...ela olha da janela do seu apartamento no sétimo andar numa rua qualquer..numa cidade idem.
O relógio bateu horas lentas..tão lentas quanto a batida de um coração apertado que foi buscar as memórias de uma noite qualquer de sua infância. A noite..tem lua cheia....mas os vultos e barulhos não assustam mais..ao contrário..o barulho das ondas do mar..que fica muito próximo...acalma sua alma.
O relógio bateu lentamente..mais uma vez..e ela fecha os olhos deitada na cama...sem esperar pelo beijo-doce de boa noite da mãe que ficou no passado da menininha de tranças...que não existe mais!!!
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..lembranças...
domingo, 25 de julho de 2010
O tal bicho-homem
Interessante o tal bicho-homem. Digo bicho porque esse tal homem é tão incompreensível quanto são suas atitudes e escolhas na vida.
Pois bem, vivemos numa sociedade onde a violência é fruto dos grandes problemas sociais. Quem não conhece uma história de crianças mal-tratadas?..Histórias que são ...muitas vezes... o prato do dia dos tele-jornais provocando no telespectador a mais triste das consciências humanas fomentada pela piedade e o sentimento de "imprestabilidade" social. Diante do perplexo olhar para o quadro, o mais simplista dos pensamentos que nos aparece é: "esses são os calvários da vida".
Vi na tv outro dia uma mulher de 40 anos mãe... adotiva... de 30 crianças. A mulher sofrera... na infância... abusos constantes de um padrasto monstruoso.
Assisti também uma história de um jovem morador de rua que adorava estudar. Vivia nas bibliotecas... quando lhe era permitido a entrada... ou lia seu livro sentado no banco da praça onde passavam pessoas que o ignoravam diariamente. Esse jovem prestou uma prova e passou num concurso público e hoje é um senhor respeitado entre seus colegas de trabalho pela competência e disciplina a que o posto lhe exige.
É... pois... do calvário que se constroi o bicho ou se constroi o homem..... Incompreensíveis são aqueles que saem das cinzas e reescrevem sua história... antes fadada ao fracasso das piores bilheterias do cinema.
Pois é Bandeira ...tu dizias no poema: "Vi ontem um bicho"... Somos nós que ecolhemos nossos caminhos: bichos ou homens?.....
Incompreensiveis...incompreensíveis.. serão sempre nossas escolhas!!!
terça-feira, 29 de junho de 2010
...Amar...
Amar...
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre,e até de olhos virados,
amar?
Que pode, pergunto, o ser
amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
(...)
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa
amar a água implícita, e
o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade- Claro enigma-
domingo, 13 de junho de 2010
Tive um sonho...
...
..Tive um sonho...sonhei que tinha encontrado você num dia lindo na beira da praia...estávamos felizes por termos encontrado um ao outro..sorrisos... alegrias e carícias foram trocadas..mãos dadas..fim de tarde..água batendo nos pés... e grandes promessas..de nunca mais... haveríamos de nos separar... grande parte foi boa conversa...boa trocas de segredos..e confissões...entre essas.. o medo de que jamais te encontraria...senti muito perto teu cheiro..tuas mãos macias..e teu hálito de hortelã...tuas palavras saíam felizes e doces... sempre direcionada a mim...teus olhos olhavam o mar..mas sempre retornavam aos meus quando te sentias perdido...teu sorriso era farto..alegre..transparente até, pois estampava a felicidade de me ter junto a ti..só a ti...Mas, tive um sonho..e ele acabou..quando acordei ... levei as mãos ao rosto para chorar pelo sonho perdido...encontrei nelas o perfume que tinhas deixado em mim!!!!
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ao amor que anda por aí...
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